São Paulo (SP), 03 de agosto de 2026 – Nesta segunda-feira (3), a Conservação Internacional (CI-Brasil) participou do painel “Soluções Climáticas Baseadas no Oceano”, realizado durante o evento “O Futuro é Azul: o Oceano no Centro da Ação Climática”, na São Paulo Climate Week 2026. Representando a organização, a diretora do Programa Marinho e Costeiro da CI-Brasil, Natali Piccolo, integrou um grupo de especialistas formado por representantes do governo, da academia, da sociedade civil, do setor privado e de instituições financeiras para debater como a conservação e o uso sustentável dos ecossistemas marinhos e costeiros podem contribuir de forma efetiva para enfrentar a crise climática.
O painel abordou o potencial das chamadas Soluções Baseadas no Oceano para promover a captura e o armazenamento de carbono, fortalecer a resiliência de comunidades costeiras diante dos impactos das mudanças climáticas e conservar ecossistemas essenciais para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.
Durante o debate, Natali destacou o potencial do carbono azul como uma Solução Baseada na Natureza capaz de gerar benefícios simultâneos para o clima, a biodiversidade e as comunidades costeiras e marinhas. A diretora ressaltou a importância do Brasil avançar na adoção de salvaguardas socioambientais para orientar o desenvolvimento de projetos de carbono azul de forma transparente, inclusiva e socialmente justa.
“Ecossistemas como manguezais e pradarias marinhas têm enorme potencial para contribuir com a mitigação das mudanças climáticas por meio do carbono azul. Mas é fundamental que o desenvolvimento dessa agenda esteja baseado em salvaguardas que garantam segurança jurídica, transparência e justiça climática para os povos e comunidades tradicionais que historicamente conservam esses territórios”, destacou.
A diretora também enfatizou que a adequação fundiária das Reservas Extrativistas (Resex) marinhas e costeiras, em conjunto com o fortalecimento de suas associações representativas, é um elemento central para que projetos de carbono azul promovam repartição justa de benefícios e reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais.
“A agenda de carbono azul precisa caminhar junto com o fortalecimento dos direitos territoriais. Avançar na adequação fundiária das Resex marinhas e costeiras e no reconhecimento das associações-mãe desses territórios é um passo essencial para garantir que os benefícios gerados por projetos de carbono azul contribuam efetivamente para a justiça climática e para o desenvolvimento sustentável das comunidades costeiras”, acrescentou.
Moderado por Oscar Lopes, CEO e publisher do Portal Neo Mondo/Jornal Estadão e vencedor do Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental 2026, o painel contou ainda com a participação de Camila Yamahaki, pesquisadora sênior do Programa de Finanças Sustentáveis do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces); Mauro Figueiredo, do Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (GPDA/UFSC) e do Instituto Aprender Ecologia; Rusiene Almeida, professora titular da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), presidente do Instituto Surf Carapeba e coordenadora da Reserva Nacional de Surf da Praia do Francês; e Salomar Mafaldo, coordenador-geral de Cidades Sustentáveis do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Promovido pelo Instituto APRENDER Ecologia, Instituto Ambiente em Redes, FGV-SP e Instituto Clima e Sociedade (iCS), o evento buscou ampliar o diálogo sobre o papel estratégico do oceano no cumprimento das metas climáticas, na conservação da biodiversidade e na geração de benefícios socioeconômicos para as populações costeiras.
CARBONO AZUL E JUSTIÇA CLIMÁTICA
O carbono azul refere-se ao carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos, como manguezais, marismas e pradarias marinhas. Além de contribuírem para a mitigação das mudanças climáticas, esses ambientes desempenham papel fundamental na conservação da biodiversidade, na proteção da linha de costa e na manutenção dos modos de vida de comunidades tradicionais.
A CI-Brasil vem contribuindo para que o avanço dessa agenda ocorra de forma responsável, inclusiva e alinhada aos direitos das populações que historicamente protegem esses ecossistemas. Durante a COP30, realizada em Belém, a organização lançou, em parceria com comunidades tradicionais, órgãos governamentais e instituições parceiras, a primeira proposta nacional de Recomendações de Salvaguardas Socioambientais para Projetos de Carbono Azul.
Construído ao longo de 2024 e 2025 com a participação de comunidades extrativistas, pescadores artesanais, marisqueiras, quilombolas e povos indígenas, o documento estabelece diretrizes para garantir segurança jurídica, governança comunitária, repartição justa de benefícios e respeito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), contribuindo para que futuros projetos de carbono azul gerem benefícios para o clima, a natureza e as pessoas.
SÃO PAULO CLIMATE WEEK 2026
Entre os dias 3 e 7 de agosto, acontece a São Paulo Climate Week 2026, plataforma colaborativa que reúne lideranças, organizações, comunidades e cidadãos comprometidos com a construção de soluções climáticas para o Brasil e para o mundo. Ao longo da semana, a iniciativa promove debates, encontros e ações voltados à emergência climática e à transformação sustentável.
A participação da CI-Brasil na programação reforça o compromisso da organização em qualificar o diálogo entre diferentes setores e impulsionar a adoção de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para enfrentar as crises climática e da biodiversidade.
